terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

uma aproximação terrena da verdade

Filha,

Hoje você é pequenina e vai começar a se readaptar à vida na terra. Você reencarnou e automaticamente esqueceu de tudo, ou quase tudo.
Mamãe está aqui, junto com as pessoas que te amam, para lembrar de algumas coisas, e tentar minimizar o choque e o sofrimento.
Mas por mais que tentemos, você vai sofrer. Você vai sofrer, vai chorar, vai suar, vai sangrar. Eu conheci uma única pessoa, que, numa escolha não-budista, optou por não sofrer. De fato, nunca o vi sofrer, mas por uma estranha coincidência foi ele o objeto de meus choros e angústias, que sempre foram de responsabilidade minha.
Porque tudo que passamos é de nossa inteira responsabilidade. Na grande maioria das situações, você achará que Deus é injusto, que as pessoas são más, que o mundo é cruel. Bem, há de fato muita crueldade, mas só passamos pelo que temos que passar. Para cumprir uma obrigação, para aprender ou para ensinar, não importa: você terá que passar por aquilo.
Gostaria de te alertar de uma forma saudável sobre algumas coisas, com relação aos amores.
O que eu chamo de amores, devem ser chamados "paixões". E as paixões conseguem ser mais ilusórias do que as outras coisas terrenas, que são pura, pura ilusão. A paixão é ilusória e entorpece. Todos esses cantores e poetas que fazem declarações numa música, farão a próxima sobre sofrimento e traição. É um ciclo como outro qualquer, mas estamos aqui para sair desse ciclo, para sair dessa roda ilusória, em todos os sentidos.
Você verá as coisas de uma forma única e só sua, diferente da mamãe. Por isso, viva.
Se você resolver se casar com alguém, quero que saiba desde o início.
O casamento é uma luta. É uma excelente forma de evoluir. Mas dói mais que ballet. Se você conseguir ver leveza e beleza nessa luta, estará muito livre e muito além do resto dos encarnados. Não há fogos de artifício, nem pôr-do-sol, nem flores, nem coração disparado. Quando você planejar uma semana muito romântica e apaixonada com seu marido... ah, uma semana de amor, paz, beijos e carinho.... minha filha, se prepare. É agora que um carro bate, que a conta atrasa, que alguém adoece. A família dele vai te ferir mil vezes, querendo ou não. Nós podemos o ferir também, mesmo sem querer. Não espere ver coisas bonitas, não espere as flores de fora. Não espere, verbo intransitivo. É preciso um pouco de Osho e Clarice Lispector pra entender isso. É preciso muito de você para entender isso. Não vejo outro caminho que não seja a bobeira, a tolice. Mas em gente grande, mesmo com alma de pessoas pequenas, não há a total inocência. Aí é que vem o jogo de cintura: se não há inocência, vai doer. Dói. Dói de tremer, de passar mal, de vomitar, de chorar, de sangrar. Pode doer até definhar. Mas há que se achar a fé no karma,  há que se achar a leveza, há que se achar a beleza dentro de si. De fora, aqui na terra, no que se aproxima de um vida real, não há flores.
Farei todo o possível para minimizar a dor e para te amar, amar, amar. Mas já te peço perdão pelas tantas falhas que virão e pelas tentativas frustradas no caminho.
Luz, flores e leveza em seu caminho. O caminho é dentro de ti(Just in case, rsrsrs).

Um comentário:

Gabriela disse...

Vai!!! Vixi, vixi!!!
Joga, joga bastante pedra em J.C. e eu burra ainda fui junto para ajudar e olha que fui porque insistiu demásssss.